Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

Os meandros da guerra...

Alguém escreveu, há dias (*), que a Fundação Nobel - aquela que atribui, anualmente, os Prémios da Paz, da Literatura, etc - tem investimentos, e grandes investimentos, na indústria do armamento.

Uma autêntica vergonha o facto da própria Fundação Nobel receber rendimentos da indústria bélica! Não parece fazer sentido. A despeito de se dizer, a toda a hora, que os fins justificam os meios... -- talvez a fazer lembrar os "pruridos" de um certo ismo... -- chega a parecer uma autêntica monstruosidade. Um dia destes, somos capazes de acordar com a notícia de que foi instituído, também, a par do Prémio Nobel da Paz... o Prémio Nobel da Guerra!

Como dizem os que estudam certas causas e efeitos, em termos do dia-a-dia da sociedade, a Paz constrói-se pessoa a pessoa e, no fundo, dia a dia. É importante que cada qual esteja em paz com a respectiva familia, com os colegas, com aqueles que vivem a seu lado, quase paredes meias. Caso contrário, quem é que pode exigir que os países estejam, efectivamente, em paz?

Ainda agora, chegou a notícia, e com foros de autenticidade, de que os actuais senhores da Rússia -- até há pouco um dos países que, com Portugal e Estados Unidos, fazia parte da troika que fiscalizava a procura da paz em Angola... -- vendeu ao MPLA uns quantos aviões de combate MIG. Desde Janeiro do ano de 1998 foram, pelo menos, duas dezenas o número dos aviões de combate assim transaccionados.

Aviões de combate vendidos ao MPLA? Pois... pelos vistos, vendeu, logo a seguir, no mesmo período de tempo... montanhas de batarias contra os mesmos aviões, mas... à UNITA.

Claro que qualquer analista de mercados, qualquer "expert" em termos de acompanhamento das guerras... vai chamar, no mínimo, ingénuo a quem disser isto com ar de crítica. É que sempre assim foi... e sempre assim há-de ser. As guerras são todas, de uma forma geral, muito sujas. Com objectivos e fins... que quase nunca são aqueles que se anunciam em parangonas dos órgãos de Informação. Daqui a 20 anos... somos capazes de verificar a "verdadeira razão" que levou os americanos e ingleses a iniciar a tal guerra sobre o Iraque. Só que, nessa altura, já os senhores que deram as ordens... são capazes de cá não estar para a condenação.

Voltando à guerra que dilacera, uma vez mais, Angola... dir-se-á que a ONU tentou vezes sem conta levar a paz àquele país que tanto diz a Portugal e aos Portugueses. Só que os observadores já há muito se deram conta de que nenhum dos dois lados quer a paz. Mais do que isso, eles próprios enquanto observadores do processo de paz... não queriam que essa paz fosse efectiva. Para além do mais... perderiam um óptimo mercado para os armamentos que, em fornadas sistemáticas, todos os dias saem das fábricas de armamentos.

Mesmo em época de Natal... falar em guerra é tentar fazer a Paz. Abdul Cadre, de que nos socorremos muitas vezes, por ser um pensador maduro e cujo conhecimento parece mergulhar raizes na "geografia" intrínseca da pessoa humana... acredita que ainda é possível fazer a Paz.

Di-lo com palavras pensadas e sensatas que só é pena... ninguém ouvir.

Numa das suas notas, que vai espalhando, através da Internet, um pouco por todo o mundo, conta que ao começar a mobilização geral em Angola, um jovem universitário residente no Lubango (ex-Sá da Bandeira), em 23 do corrente, reagiu violentamente aos microfones duma rádio local contra a incorporação militar forçada que estaria em curso na província da Huíla. Teria rejeitado a ideia de participar numa nova guerra, declarando não querer envergar qualquer uniforme militar. E isto porque nem ele, nem o seu pai, nem o seu avô... tinham contribuído para o actual estado de coisas.

O estudante teria dito ainda que quem estava a ser incorporado não eram os filhos dos governantes -- que em geral estão todos nesta altura no estrangeiro, «para depois de formados virem mandar em nós».

Seria bom que os angolanos começassem a entender devidamente o que se passa em Angola. Como dizia o Abdul, tudo aquilo seria surrealista, se infelizmente não fosse trágico.

Para nós... seria ainda melhor se não só os angolanos mas todo o mundo... entendesse a lógica (sem lógica) da guerra e daqueles que a fazem. Deixaria, talvez, de haver tanta "carne para canhão".

Fernando Cruz Gomes
  Toronto, Canadá
sinto-me:
publicado por tutank às 14:18
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